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Título: O despertar da consciência cívica feminina: identidade e valores da pedagogia feminina de finais do século XVIII: os casos de Mary Wollstonecraft, Catharine Macaulay e Hannah More
Autor: Rodrigues, Ana Patrícia Antunes Fanha,1980-
Palavras-chave: Wollstonecraft,Mary,1759-1797
More,Hannah,1745-1833
Macaulay,Catharine,1731-1791
Educação das mulheres - Grã-Bretanha - séc.18
Mulheres - Direitos - Grã-Bretanha - séc.18
Teses de doutoramento - 2012
Issue Date: 2012
Resumo: O final do século XVIII pautou-se por um intenso debate sobre a educação feminina, questão que constituiu um primeiro passo no desafio à “Lei do Costume”, a qual perpetuava a inferioridade das mulheres em relação aos homens. Assim, a defesa do direito à educação enquadra-se num plano mais amplo de reivindicações, o da defesa da igualdade intelectual, servindo de esteio a posteriores movimentos de índole política. De facto, o Feminismo em Inglaterra está intimamente ligado à questão da educação feminina, como o percurso literário de várias escritoras atesta. Seguindo uma já longa tradição literária, encontramos em Setecentos uma vasta ensaística apologética acerca do estatuto e da participação da mulher na sociedade. Até aí, as mulheres eram consideradas as guardiãs da moral e dos bons costumes, desempenhando um papel fulcral na manutenção da estabilidade doméstica e social. No caso do século XVIII, algumas pensadoras passam a almejar objectivos mais vastos e de maior relevância para o colectivo, uma vez que acreditavam que os defeitos tradicionalmente atribuídos às mulheres não eram um produto biológico, isto é, não eram inerentes à sua condição feminina, mas antes um produto social, fruto da sua educação e do seu lugar no seio da sociedade. Educar constituía, assim, a ponte entre a formação ética do indivíduo, incluindo a mulher, e a acção cívica, de contributo social, apontando, potencialmente, para a participação feminina na esfera pública. O estudo que propomos visa uma análise de propostas de modelos de educação feminina no final do século, nomeadamente de Mary Wollstonecraft, Catharine Macaulay e Hannah More. Trata-se de um momento em que vêm a prelo numerosas publicações, com a Revolução Francesa de 1789 a funcionar como o despertar de consciências e a ruptura com as normas estipuladas tendo um quinhão muito importante no desenvolvimento das mentalidades relativamente às necessidades educacionais femininas. Apesar de estes esforços terem ficado em boa medida comprometidos na época vitoriana, altura em que se verifica um refrear das contestações femininas e um retorno ao papel tradicional da mulher, os esforços envidados em final de Setecentos iriam revelar-se importantes para uma nova mudança de mentalidades. Os passos das pioneiras setecentistas, ainda que tímidos e insuficientes, apontam já para uma igualdade a nível político, social e económico, a ser concretizada apenas mais de um século depois, com a participação feminina no espaço público, partilhando a toma de decisões quanto aos destinos da nação, ou seja, exercendo uma cidadania plena, fruto de uma longa luta com as autoridades investidas de poder.
URI: http://hdl.handle.net/10451/7111
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