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Título: Viver com ou sem abrigo: etnografia de lugares vagos
Autor: Silva, Susana Pereira da,1962-
Orientador: Canário,Rui,1948-
Palavras-chave: Etnografia
Sem-abrigo
Aprendizagem de adultos
Teses de doutoramento2012
Issue Date: 2011
Resumo: A presente investigação tem como objectivo analisar os processos de socialização e de aprendizagem de pessoas adultas a viver em situação de sem-abrigo, em Lisboa. O conceito adoptado tem por base a Tipologia Europeia sobre Sem-abrigo e Exclusão Habitacional – ETHOS – que estabelece que sem-abrigo é uma categoria conceptual que engloba duas situações: pessoas que vivem na rua ou em espaços exteriores; e pessoas que pernoitam num centro de alojamento temporário. Recorre-se à noção de lugar vago, proposta por Charles Darwin, como um espaço de sobrevivência possível mas habitualmente não praticado pela generalidade de uma determinada população. Do ponto de vista metodológico desenvolveu-se uma pesquisa etnográfica com recurso à observação participante e entrevistas biográficas e temáticas, num total de vinte e quatro pessoas a viver ou que viveram em situação de sem-abrigo. Os resultados evidenciam que face a situações de extrema vulnerabilidade, isto é, perda de habitação e de recursos financeiros estáveis, as pessoas tendem a ocupar dois tipos de lugares vagos: a rua ou casas abandonadas; e os centros de alojamento temporário ou as comunidades de trabalho. As estratégias de sobrevivência adoptadas são distintas: enquanto as primeiras mantêm vínculos de fraca intensidade com os serviços sociais; as restantes adaptam-se à vida comunitária, procurando salvaguardar uma certa independência e autonomia. Estes dois tipos de percursos são, regra geral, mutuamente exclusivos, isto é, as pessoas que se socializam na rua raramente aceitam ingressar num centro de alojamento temporário. De igual modo as pessoas que optam pelos centros ou comunidades, raramente passaram pela experiência de sobreviver na rua, rejeitando essa alternativa. A maioria dos participantes deste estudo gostaria de alterar a situação em que se encontrava se pudesse garantir algum controlo sobre a sua existência. As mudanças são encaradas por ambos como verdadeiros saltos para o desconhecido. Estes resultados proporcionam informação pertinente para a concepção, gestão e organização dos serviços de apoio a pessoas em situação de sem-abrigo.
This research aims to analyze the processes of socialization and learning of adults who live in a situation of homelessness in Lisbon. The concept adopted is based on the European Typology on Homelessness and Housing Exclusion - ETHOS - which states that homelessness is a conceptual category that encompasses two situations: people living on the street or outdoors and people who overnight in temporary shelters. The research draws on the notion of unoccupied-places, developed by Charles Darwin, as a possible survival space but usually not practiced by the majority of a population. From the methodological point of view an ethnographic research was developed using both participant observation and biographical and thematic interviews to a set of twenty-four people living in a homeless situation. The results show that in situations of extreme vulnerability, i.e., loss of housing and stable financial resources, people tend to occupy two types of places: the street or abandoned houses, and shelters or working communities. Coping strategies and adaptation developed by each person choosing one or another kind of place are distinct: while the ones who socialize on the street or in abandoned sites seek to survive by keeping low-intensity links with social support structures; those using social services socialize in these new sites seeking to maintain some independence and autonomy. In general these two types of paths are mutually exclusive; people who socialize on the street rarely accept to enter a shelter house. Similarly people who socialize in shelters rarely had the experience of surviving on the street, rejecting this possibility. Most participants in this study would change the situation they were in if they could ensure some sort of control over their lives. For both groups, changes are regarded as true jumps into the unknown. These results provide information relevant to the design, management and organization of support services for people at risk of homelessness.
URI: http://hdl.handle.net/10451/7169
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