Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10451/7501
Título: Do escondido:Santo Agostinho e os limites da estética
Autor: Ferreira, Ana Rita de Almeida Araújo Francisco, 1979-
Orientador: Xavier, Maria Leonor, 1959-
Correia, Carlos João Nunes, 1956-
Palavras-chave: Agostinho, Santo, 354-430 - Estética
Estética
Teses de doutoramento - 2012
Data de Defesa: 2012
Resumo: O tema desta dissertação é a estética agostiniana e a abordagem que proponho parte do problema da secundarização deste autor na área da estética, com base nas críticas à ausência de sistema, ao carácter esparso das considerações sobre a beleza e ao não desenvolvimento de uma filosofia da arte. Essa marginalização, a meu ver, é sintomática não de uma limitação do pensamento estético de Santo Agostinho, mas de uma visão aprisionada no tempo da estética –enquanto disciplina, enquanto ramo autónomo da filosofia, institucionalmente reconhecido. Nesta senda, procedo a uma análise dos eixos teóricos que no pensamento agostiniano estruturam a sua mundividência estética e que não apenas se enquadram numa perspectiva alargada deste ramo disciplinar como contribuem para clarificar as suas valências. A visão tradicional do universo da análise conceptual estética é assim problematizada através de uma revisitação à estética agostiniana, para lá das considerações acerca da arte e da mera teofania através do belo. Pelo conceito de numerus, Santo Agostinho demonstra subscrever uma concepção racional da apreciação estética que todavia não lhe predetermina um carácter objectivo. O seu neoplatonismo cristão permite-lhe perspectivar a relação sensível como uma propedêutica para o reconhecimento da inteligibilidade divina que ordena o criado e, portanto, para o alcance contemplativo do Criador -Beleza tão antiga e tão nova. O aperfeiçoamento da sensibilidade, enquanto modo de relação e de valoração, é traduzível na justeza do ordo amoris, cujo carácter criterioso ancora a liberdade individual às leis da verdade eterna, revelando quer um paralelismo entre as esteses e o conhecimento intelectual, quer um enlace entre a esfera da acção humana e os juízos das percepções sensíveis; ou por outras palavras, entre a ética e a estética. No seio do pensamento agostiniano, a transversalidade da estética e o tipo de estamento a que a experiência sensível deve predispor parecem tornar mais próximo das actuais correntes estéticas o filósofo africano do que os filósofos iluministas aos quais devemos o desenvolvimento da área disciplinar em questão.
Le thème de la présente dissertation est l’esthétique augustinienne et l’angle d’approche que je propose a pour point de départ le problème de la mise au second plan de cet auteur dans le domaine de l’esthétique, en prenant appui sur les critiques de l’absence de système et du non développement d’une philosophie de l’art. Cette marginalisation est, selon moi, symptomatique non pas d’une limitation de la pensée esthétique de Saint Augustin, mais d’une vision prisonnière de l’histoire de l’esthétique – en tant que discipline, en tant que branche autonome de la philosophie, institutionnellement reconnue. En empruntant cette voie, je procède à une analyse des axes théoriques qui dans la pensée augustinienne structurent sa vision esthétique du monde et qui n’entrent pas seulement dans le cadre d’une perspective élargie de cette branche disciplinaire, mais qui contribuent également à clarifier leurs validités. La vision traditionnelle de l’univers de l’analyse conceptuelle esthétique est ainsi problématisée en revisitant l’esthétique augustinienne, par-delà les considérations autour de l’art et d’une simple théophanie à travers le beau. Par le concept de numerus, Saint Augustin révèle son adhésion à une conception rationnelle de l’appréciation esthétique qui ne lui confère pas, toutefois, un caractère objectif. Son néoplatonisme chrétien lui permet d’envisager la relation sensible comme propédeutique pour la reconnaissance de l’intelligibilité divine qui ordonne le créé et, par conséquent, pour aboutir à la contemplation du Créateur – Beauté si ancienne et si nouvelle. Le perfectionnement de la sensibilité, en tant que mode de relation et de valorisation, se traduit par la justesse de l’ordo amoris, dont le caractère pertinent ancre la liberté individuelle dans les lois de la vérité intérieure, révélant tantôt un parallélisme entre les esthétismes et le savoir intellectuel, tantôt un lien entre la sphère de l’action humaine et les jugements des perceptions sensibles ; ou, en d’autres mots, entre l’éthique et l’esthétique. Au sein de la pensée augustinienne, la transversalité de l’esthétique et le mode existentiel auquel l’expérience sensible doit prédisposer semblent rapprocher davantage des actuels courants esthétiques le philosophe africain que les philosophes des Lumières auxquels nous devons le développement du champ disciplinaire dont il est ici question.
Descrição: Tese de doutoramento, Filosofia (Estética e Filosofia da Arte), Universidade de Lisboa, Faculdade de Letras, 2012
URI: http://hdl.handle.net/10451/7501
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