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Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10451/762

Título: Terapeuta humano : investigação sobre as dinâmicas de sedução na relação terapêutica
Autor: Vieira, Vítor Manuel da Silva, 1964-
Orientador: Moleiro, Carla
Palavras-chave: Relação terapêutica
Terapeutas
Ética
Contratransferência
Sedução
Teses de mestrado
Issue Date: 2008
Resumo: A intimidade e profundidade da relação terapêutica mobiliza afectos nos intervenientes, que não podem nem devem ser negados. Neste estudo pretendemos abordar a forma como os terapeutas portugueses, e de diferentes formações teórico-práticas, conceptualizam, sentem e gerem os sentimentos de atracção e idealização dos clientes, bem como as suas fantasias, possíveis manifestações de sentimentos e desejos, que potencialmente promovem nos clientes sentimentos de atracção e/ou idealização. Procuramos também, clarificar em que grau os terapeutas sentem que as suas formações os prepararam para estar conscientes e lidar com este tipo de sentimentos e desejos. Recorremos a uma amostra de conveniência que reuniu 63 terapeutas, na sua maioria psicólogos e de orientação dinâmica. Para operacionalizar a investigação realizamos dois estudos, em momentos distintos. Numa primeira fase, elaboramos um guião de entrevista, sustentado pela revisão de literatura, e aplicamos essa entrevista a sete especialistas em psicoterapia (todos clínicos, formadores e supervisores). Na segunda fase, com base nos dados recolhidos no primeiro estudo, e nas publicações teóricas e empíricas, apresentadas no enquadramento, elaboramos o questionário. Testamos a consistência interna do mesmo com o teste alfa de Cronbach, e verificamos que existiam cinco dimensões que asseguravam a sua consistência, e outros cinco itens pela sua especificidade foram considerados individualmente. Surpreendentemente, 50.8% dos terapeutas referiram nunca ter tido convites de clientes com vista a maior intimidade. Apenas 1.6% dos participantes considerou que os terapeutas nunca tinham fantasias ou sonhos eróticos com clientes, enquanto 60.3% concordou que isso podia acontecer com alguma frequência. Paradoxalmente, 50.8% dos terapeutas referiu nunca ter tido fantasias ou sonhos eróticos com clientes. A vasta maioria (81%) considerou que as suas formações os tinham preparado adequadamente para compreender e lidar com este tipo de dinâmicas e sentimentos. Os terapeutas cognitivo-comportamentais foram os que mais reportaram a percepção de alguns temas serem tratados como tabu nas suas formações. A importância de o terapeuta passar por uma terapia pessoal foi assinalada por quase todos os participantes (95.2%). Os terapeutas com terapia pessoal foram os que mais assumiram ter tido fantasias ou sonhos eróticos com clientes. A generalização dos dados ficou condicionada principalmente pela amostra, quer em termos de dimensão, quer de diversidade. No entanto, acreditamos ter contribuído para mobilizar alguma reflexão nos terapeutas quanto às suas práticas clínicas, e à necessidade de estarem atentos aos sinais contratransferenciais; contribuído com material para as Sociedades e formadores reflectirem na necessidade de explorar e aprofundar a humanidade do terapeuta, que continuamente é posta à prova no seio da relação terapêutica.
It is undeniable that intimacy and depth in relationships mobilizes affect in the participants involved. In this study, we aimed to access Portuguese therapists' perceptions concerning possible client invitations, more or less explicit, for more intimacy with the therapist (seduction demonstrations), and the possibility of feeling desire or having erotic fantasies with clients. It also aimed at evaluating therapy training with regards to preparing therapists in understanding and managing the seduction dynamics, beyond demonstrations, desires and fantasies that may emerge in the client or in the therapist, as well as the relevance of a personal therapy as an instrument of tune to better understand and deal with these phenomena. A convenience sample of 63 psychotherapists participated in this study, comprised mostly by psychodynamic psychologists. Two studies were conducted in two distinct moments. In a first phase, an interview protocol was elaborated, supported by the literature review. The interview was conducted with seven psychotherapy specialists (all of whom were clinicians, clinical trainers and supervisors). In a second phase, based on the data from the first study and on theoretical and empirical literature presented, a survey was elaborated. Its internal consistency was tested with Cronbach alpha. Five dimensions were found, and another other five items were considered individually due to their specificity.Surprisingly, 50.8% of the therapists reported that they had never received client invitations for more intimacy. Only 1.6% of the responders considered that therapists never have fantasies or erotic dreams with their clients, while 60.3% agreed that it could happen with some frequency. Paradoxically, 50.8% of the therapists said that have never had fantasies or erotic dreams with their clients. Most of them (81%) considered that their therapist training prepared them adequately to understand and deal with this kind of dynamics and feelings. Cognitive-behavioral therapists were those who most reported perceiving some themes as a taboo in their therapist training. The importance of personal therapy by the therapist was reported by all responders (95.2%). Therapists who had been in personal therapy were those who assumed the most that they had fantasies or erotic dreams with clients. Data generalization was conditioned mostly by the sample, due to its dimension and diversity. However, we believe in our contribution to mobilize some reflection in the therapists regarding their clinical practices and the necessity of being aware of countertransference. signals. We also believe in our contribution for Societies and trainers with regards to reflecting about the necessity of exploring and deepening the therapist's humanity, which continuously is tested in the heart of the therapeutic relationship.
Descrição: Tese de mestrado em Psicologia (Mudança e Desenvolvimento em Psicoterapia), apresentada à Universidade de Lisboa através da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, 2008
URI: http://sibul.reitoria.ul.pt/F/?func=item-global&doc_library=ULB01&type=03&doc_number=000550279
http://hdl.handle.net/10451/762
Appears in Collections:FPCE - Dissertações de Mestrado

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