Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10451/7765
Título: Otters and dams in mediterranean habitats:a conservation ecology approach
Autor: Pedroso, Nuno Miguel Peres Sampaio, 1972-
Orientador: Reis, Margarida Santos, 1955-
Kruuk, Hans, 1937-
Palavras-chave: Lutra lutra
Barragens
Reservatórios
Ecologia dos reservatórios
Impacto ambiental
Monitorização ambiental
Teses de doutoramento - 2012
Data de Defesa: 2012
Resumo: Human activities are important drivers of ecosystems change and understanding how natural values persist given extensive use of the landscape is of conservation importance. Dams, particularly large-sized, have been described as negatively influencing the distribution and ecology of Eurasian otters (Lutra lutra) in Europe but, although data is still scarce, evidences exist that Mediterranean otters use these new habitat elements. This thesis focus mainly on assessing otters’ presence and use of dam reservoirs and adjacent streams in the south of Portugal, and determining the changes in the availability of otter ecological requirements imposed by the a large dam construction. Signs of presence were the basis of the otter-related fieldwork and an adaptation of the standard otter river survey method was proposed and implemented to survey dams more efficiently. Results showed a generalized use of large reservoirs by otters, although these habitats were less suitable than pre-existent streams and rivers. Reservoirs acquired special importance during the dry season when water and aquatic prey availability are limiting resources in streams. Prey abundance was one of the main factors promoting otter use of reservoirs. Throughout the construction of a large dam, otter presence decreased during the impact phases but recovered although not to levels prior to dam construction. After the construction of the dam otter diet became based on non-native prey species and monitoring revealed a decrease in habitat connectivity, bankside vegetation cover, breeding and foraging grounds, throughout the reservoir. These results emphasize the importance of long-term monitoring studies that include post-impact phases. Evidence of antimicrobial resistance in otter fecal bacteria was detected in reservoirs and adjacent streams, most probably promoted by high levels of cattle density, with unknown consequences for otters’ fitness and human health. In widely distributed and healthy populations, such as the one occurring in Portugal, dams are less concerning. In areas affected by Mediterraneity reservoirs may even constitute a habitat complement to natural riverine systems under climate and human pressures, and can be enhanced by conservation measures and management actions. Nevertheless, the destruction of riverine systems is a matter of concern, especially in areas of otter population fragility and/or instability.
As barragens têm sido consideradas como tendo uma influência negativa na distribuição da lontra e são sugeridas como um factor co-responsável pelo declínio passado desta espécie na Europa. A montante, as barragens criam reservatórios de água de grande dimensão e profundidade, muitas vezes com margens íngremes, não sendo assim ideais para a lontra caçar, o que geralmente ocorre em águas pouco profundas. Além disso, a flutuação rápida e frequente do nível de água faz com que a vegetação nas margens seja escassa e não ofereça o refúgio e segurança adequados para a espécie. As barragens fragmentam o habitat e, dependendo das condições orográficas e hidrológicas locais, também a população de lontras. Outro efeito causado pela presença de barragens é a redução do fluxo de água nos rios a jusante, durante o período mais quente do ano. Perturbações adicionais associadas à construção de barragens incluem desmatações na área de inundação, plantação de árvores de produção na envolvente, bem como actividades recreativas, como desportos aquáticos e pesca, na área dos reservatórios. Independentemente destes aspectos negativos há indicações de que os reservatórios são utilizados por lontras em habitats mediterrânicos mas estas evidências advêm de estudos limitados no tempo e/ou no espaço. A falta de informação leva à necessidade de recolha de dados ecológicos adicionais sobre as lontras em barragens, especialmente num contexto daescassez na disponibilidade de presas. política de gestão da água como a implementada nas últimas décadas na Península Ibérica, com várias centenas de barragens já construídas e muitas outras previstas para os próximos anos. Assim, esta tese teve como principais objectivos avaliar a presença e o grau de uso pela lontra em barragens, e linhas de água adjacentes, no sul de Portugal, e determinar as alterações induzidas pela construção de uma grande barragem na disponibilidade dos principais requisitos ecológicos da lontra. A metodologia geral incluiu a pesquisa de indicíos de presença da espécie em reservatórios e linhas de água, a correspondente avaliação da dieta através da análise laboratorial de dejectos e a avaliação da disponibilidade de presas através de pesca eléctrica (linhas de água) e da colocação de redes de pesca (reservatórios). Adicionalmente caracterizaram-se os locais de amostragem através de um conjunto de variáveis ecológicas e de outras relativas aos sistemas aquáticos, seleccionadas de acordo com a sua relevância para a lontra. Estas variáveis foram medidas, estimadas e/ou categorizadas, sendo posteriormente usadas em processos de modelação (e.g. modelos lineares generalizados) e relacionadas com a presença/ausência e/ou intensidade de marcação de lontra. Para averiguar se existe uma utilização generalizada dos reservatórios resultantes de grandes barragens pela lontra, num contexto mediterrânico, foram estudados 12 reservatórios e linhas de água adjacentes em diferentes estações do ano e com condições climáticas diversas (época seca de 2002, época extraordinariamente seca de 2005 e época húmida de 2006). Quatro destas barragens (Caia, Vigia, Monte Novo e Lucefecit) estão localizadas na bacia do rio Guadiana e oito (Alvito, Odivelas, Pego do Altar, Vale do Gaio, Fonte Cerne, Campilhas, Roxo e Monte da Rocha) na bacia do Sado. Além disso, em Pego do Altar e Monte Novo foram ainda recolhidos dados sobre a microbiota intestinal de lontra e a resistência antimicrobiana das bactérias e seus determinantes, através da recolha de dejectos e sua posterior análise laboratorial. Para perceber se as lontras usam diferencialmente as grandes barragens e os reservatórios de pequeno-médio porte, 30 destes reservatórios foram estudados na Serra de Monfurado, (PTCON0031 - Sitio de Importância Comunitária - Rede Natura 2000). As alterações na presença, e consequente distribuição, da lontra ao longo do tempo, em resposta às alterações nos requisitos principais da espécie impostas pela construção de uma grande barragem, foram abordadas através do acompanhamento da implementação da Barragem do Alqueva (bacia do Guadiana), em todas as suas fases (2000 a 2006). Todas as áreas acima descritas estão incluídas na região do Alentejo, no sul de Portugal (regiãoCom base na experiência alcançada neste estudo, e noutros anteriores sobre lontras em grandes barragens, foi proposta uma adaptação ao método de amostragem padrão recomendado pelo ‘IUCN Otter Specialist Group’ para monitorização de lontra em sistemas lóticos (ribeiras e rios) de forma a melhorar a monitorização da espécie em sistemas lênticos, nomeadamente grandes barragens. Esta adaptação inclui considerações acerca da dimensão espacial da amostragem, do número e localização dos pontos de amostragem, entre outras, tornando mais eficaz a recolha de informação quando se amostram barragens, seja o objectivo apenas detectar presença/ausência de lontra ou recolher dejectos frescos para análise molecular. Esta tese demostrou que os grandes reservatórios são regularmente usados pela lontra no sul de Portugal e que estes elementos do habitat podem ser adequados para a espécie em cenários particulares. É o caso, por exemplo, de áreas em que os sistemas ribeirinhos sofrem alterações sazonais marcadas na disponibilidade de água e as populações de lontra são estáveis e relativamente abundantes. Contudo, estes reservatórios são menos adequados para a lontra do que as ribeiras e rios pré-existentes à implementação da barragem. A disponibilidade de presas, independentemente do tamanho do reservatório, demostraram ser o factor chave para a utilização destes pelas lontras, e a sua disponibilidade influencia de forma significativa a presença da espécie. Independentemente das diferenças sazonais observadas na composição e estrutura das comunidades de presas, registou-se uma aparente estabilidade a nível da sua disponibilidade nos grandes reservatórios. Tal tem um papel relevante para a subsistência da lontra em determinadas áreas porque, durante a estação quente, mais de metade das linhas de água adjacentes às barragens estudadas secam ou ficam restritas a pequenos pêgos. Inversamente, os grandes reservatórios oferecem alimento à lontra durante todo o ano, sugerindo que as presas são os elementos chave para a utilização dos reservatórios por esta espécie em zonas Mediterrânicas ou noutras zonas áridas ou semi-áridas onde haja uma marcada sazonalidade de recursos (água e presas). As presas dominantes da lontra foram peixe e lagostim-americano Procambarus clarkii, quer nas ribeiras quer nos reservatórios. Outro factor determinante para a presença e uso de grandes reservatórios pela lontra é a proximidade às linhas de água. Tal sugere que nem todo o perímetro do reservatório é igualmente adequado para a lontra e que as linhas de água que desaguam no reservatório têm um papel determinante. O elemento chave relacionado com as linhas de água é a presença de vegetação ripícola que proporciona abrigo e possibilita a reprodução, e que é um recurso limitado ao longo das margens dos reservatórios. A tipologia das margens dos reservatórios surgiu como outro factor limitante: águas pouco profundas e margens complexas oferecem à lontra melhor sucesso de captura do que águas do Mediterrâneo). profundas uma vez que estas últimas limitam a capacidade dos indivíduos de apanhar presas ao aumentar as possibilidades de fuga das presas. Os resultados relativos ao uso pela lontra de reservatórios de pequena ou média dimensão foram, em geral, concordantes com os obtidos para grandes reservatórios: i) as lontras estão presentes e utilizaram a grande maioria dos reservatórios, ii) observou-se uma variação sazonal na intensidade de marcação, revelando a maior importância dos reservatórios na época seca; iii) os reservatórios são habitats sub-óptimos para a lontra em termos de abrigo e pressão humana quando comparados com as linhas de água, mas funcionaram como importantes áreas de alimentação, especialmente quando se localizavam perto de linhas de água com boas condições de abrigo, mas escassez de presas; iv) a dieta das lontras que utilizaram os reservatórios reflectiu o comportamento oportunista desta espécie nomeadamente através da selecção de presas sazonalmente mais disponíveis, particularmente o lagostim-americano. Contudo, ao contrário das grandes barragens, os reservatórios de pequena-média dimensão não mostraram diferenças a nível dos padrões de ocupação (presença/ausência) nas estações seca e húmida. A associação negativa encontrada entre o uso pela lontra dos reservatórios de pequena-média dimensão e a extensão de linhas de água com galeria ripícola desenvolvida na proximidade dos mesmos reflectiu a preferência da lontra por ribeiras e rios melhor preservados, em detrimento dos reservatórios artificiais sem oportunidades de abrigo; como consequência, quando ocorrem habitats de elevada qualidade na proximidade, a necessidade utilização de recursos dos reservatórios é reduzida. Outro factor diferenciante é a pressão de gado que demonstrou afectar negativamente o uso pela lontra de reservatórios pequenos, mas não os de grandes dimensões. O impacte das várias fases de construção, em particular de grandes barragens, é pouco conhecido. O caso de estudo usado como exemplo, a barragem do Alqueva (a maior barragem na Europa), foi acompanhado nas várias fases da sua implementação: pré-construção, desmatação, enchimento, pós-enchimento. Os dados recolhidos demonstraram que a desmatação e enchimento afectaram significativamente a lontra resultando num decréscimo marcado da sua presença na área de inundação. Embora a espécie tenha recolonizado a área após o enchimento da barragem, e a sua presença se tenha tornado relativamente constante quando o nível de água estabilizou, esta não alcançou o nível anterior à construção da barragem. A análise da dieta mostrou que a resposta da lontra às alterações criadas pela implementação da barragem foi clara, reflectindo as grandes mudanças na composição e abundância da comunidade de presas, o que é provavelmente a alteração mais visível na ecologia da lontra. Verificou-se uma alteração significativa no consumo de peixes nativos com o aumento das espécies não-nativas de peixes e crustáceos (lagostim-americano), que passaram a dominar a dieta. Além disso, a generalidade das presas tornaram-se menos disponíveis para a lontra dada a maior dificuldade de captura em águas profundas e o efeito de dispersão dos peixes no grande reservatório, pelo menos nos anos imediatamente após a implementação da barragem quando a colonização, nomeadamente por espécies não-nativas, é um processo em curso. Em paralelo com as alterações no uso dos recursos alimentares, os resultados ilustram uma alteração noutros requisitos ecológicos da lontra ao longo do tempo: conectividade de habitats (corredores ecológicos com elevada qualidade de habitat e abundância de presas), cobertura de vegetação nas margens, abrigo e tocas, e zonas de alimentação. Com a excepção da disponibilidade de água, todos os outros principais requisitos ecológicos da lontra ficaram menos disponíveis após a construção e implementação da barragem do Alqueva. A construção da barragem cria impactes que se estendem muito para além do espaço inicial (área de enchimento) e tempo (calendário de construção) considerados na proposta de acompanhamento da infra-estrutura. Os resultados obtidos nesta tese enfatizam a importância dos estudos de monitorização a longo prazo que incluam todas as fases da construção e pósconstrução, para verdadeiramente avaliar a resposta das espécies aos impactes. Este facto é relevante uma vez que nem todos os Estudos de Impacte Ambiental incluem fases de monitorização pós-inundação ou consideram a lontra como uma das espécies-alvo. O verdadeiro impacte na lontra apenas pode ser avaliado depois do final da fase de impacte (desmatação e enchimento), e depois da estabilização das condições do reservatório (nível de água, vegetação nas margens, comunidades de presas). Os dados, conhecimento e experiência que resultaram desta tese foram utilizados na elaboração, em conjunto com outros membros do ‘IUCN Otter Specialist Group’, de recomendações que pretendem guiar os promotores e consultores quando da preparação de estudos de impacte ambiental (EIA) de grandes barragens, bem como ONGs e consultores de EIA, e avaliadores que têm que verificar se a lontra foi devidamente considerada no decurso do EIA (ANEXO). Um resultado importante dos estudos efectuados no decurso desta tese diz respeito à primeira evidência de resistência antimicrobiana na microbiota de lontras que utilizam barragens e ribeiras. Assim, foi detectada a presença de bactérias resistentes a compostos antimicrobianos em amostras de dejectos de lontra recolhidos na barragem de Pego do Altar, de Monte Novo, e ribeiras adjacentes. Considerando a localização dos pontos de amostragem, estas lontras terão sido provavelmente expostas a compostos antimicrobianos presentes na água ou no solo por contaminação através de dejectos de animais de criação (e.g. gado bovino) ou de actividades agrícolas. Esta inferência é especialmente relevante, e com possíveis consequências para a saúde pública, em locais onde decorrem actividades humanas recreativas, como banhos, prática de desportos de água ou campismo; estas actividades ocorrem com elevada frequência em barragens, como observado nas várias barragens amostradas neste estudo. A estratégia de conservação para a lontra a longo prazo, em zonas mediterrânicas, como o sul de Portugal, deve ser centrada na manutenção de uma população saudável de lontra, melhorando as suas condições de habitat e a densidade de presas naturais, em coexistência com as actividades humanas. Especificamente, o sistema conjunto de reservatórios e linhas de água adjacentes aparenta ter um papel relevante na permanência da lontra em determinadas zonas mediterrânicas. Esta relevância pode ser assegurada através da aplicação de medidas específicas de conservação e acções de gestão como as que são referidas de seguida: i) Promover a existência de refúgio e cobertura para a lontra nos sistemas ribeirinhos e nas margens dos reservatórios. As grandes barragens podem sustentar mais lontras, se as linhas de água adjacentes tiverem boas condições de habitat e refúgio, que é normalmente escasso nas margens das barragens. Controlar o acesso de gado, o corte de vegetação ripícola, e a extracção de água para fins agrícolas, tudo práticas comuns no sul de Portugal, são bons exemplos de acções para a manutenção de habitat ribeirinho. Especial atenção deverá ser dada às áreas de interface entre reservatórios e linhas de água. ii) Proteger as ilhas que se criam nos reservatórios das barragens após o enchimento à cota máxima. Estas ilhas podem constituir novas oportunidades de habitat para as lontras, desde que não sujeitas a perturbação humana, podendo ser especialmente importantes para permitir à população de lontra recuperar parcialmente dos impactes da desmatação e enchimento. iii) Promover a existência de pequenas baías e a complexidade de habitat nas margens nos reservatórios, pois tanto a tipologia das margens (diferentes estratos e substratos) como a alternância de baías e penínsulas oferecerem melhores oportunidades à lontra para capturar presas, ao criarem áreas de reduzida profundidade e condições de emboscada. Além disso, a manutenção de alguma vegetação aquática pode funcionar como refúgio para peixes, lagostim americano e anfíbios aumentando a sua disponibilidade nessas baías. iv) Controlar a perturbação causada pelo gado e actividades agrícolas nas imediações dos reservatórios e nos sistemas ribeirinhos adjacentes de forma a evitar a degradação da vegetação ripicola, reduzir a poluição orgânica da água e diminuir o potencial de transferência de bactérias resistentes e compostos antimicrobianos, contribuindo assim para melhorar a adequação de habitat para a lontra, bem como para outra fauna aquática. v) Promover o uso eficiente da água através de uma gestão responsável da água, que requer sensibilidade dos gestores para uma ampla gama de questões. Um ponto de partida é entender os impactes dos actuais e futuros sistemas de gestão de água (incluindo infra-estruturas). O cenário actual das alterações climáticas na Europa prevê impactes nos sistemas ribeirinhos na região do Mediterrâneo, principalmente, através da extensão do período de seca. Este aspecto deve ser considerado no planeamento da conservação da lontra em ambientes mediterrânicos. vi) Gerir as barragens e as descargas de água dos seus reservatórios de tal forma que minimizem os efeitos sobre a lontra e suas populações de presas. A libertação de água deve ser progressiva, para que o caudal dos sistemas ribeirinhos a jusante siga um regime de fluxo mais natural com a manutenção de caudais ecológicos. vii) A utilização de peixes não-nativos como presa pela lontra não deve ser considerada uma ferramenta para a conservação. Além de competirem com espécies de peixes nativas presentemente com problemas de conservação, há evidências de que os estes últimos, quando em abundância, são presas preferidas pela lontra. Devem ser assim protegidos os sistemas ribeirinhos que ainda têm populações de presas nativas, especialmente durante a estação seca. Deve ser ainda controlada a introdução ilegal de espécies invasoras nos reservatórios. viii) O actual estatuto da lontra em Portugal pode resultar não só num desinvestimento na investigação sobre a espécie, mas também na desvalorização do seu interesse de conservação, especialmente no âmbito dos estudos de impacte ambiental (EIA). No entanto, a lontra é uma espécie bandeira, eficaz na conservação dos sistemas aquáticos, e a preservação da lontra ainda é uma questão vital na Europa e em Portugal, sendo a sua conservação obrigatória de acordo com a Directiva Habitats. Devido a este facto, a lontra deve ser adequadamente considerada no decurso de uma EIA. Especialmente importante é que a estrutura e monitorização dos EIAs de grandes barragens incluam não só os períodos de construção mas igualmente a fase pósimplementação. As medidas de mitigação e compensação para lontra devem ser proporcionais à escala dos impactes produzidos. Está comprovado que barragens têm efeitos negativos sobre a ecologia da lontra, embora estes efeitos sejam menos visíveis em áreas de ocorrência de populações amplamente distribuídas e aparentemente abundantes, tal como a observada em Portugal. Também está confirmado que constituem um complemento de habitat aos sistemas ribeirinhos naturais sujeitos a secas, pressão climática e humana, cuja relevância pode ser promovida através da aplicação de medidas de conservação e gestão aqui propostas. No entanto, a destruição de sistemas ribeirinhos adequados à ocorrência da lontra que decorre da construção de barragens, eparticular as de grandes dimensões, deve ser motivo de preocupação, especialmente em áreas de instabilidade e fragilidade de população de lontra.
Descrição: Tese de doutoramento, Biologia (Ecologia), Universidade de Lisboa, Faculdade de Ciências, 2012
URI: http://hdl.handle.net/10451/7765
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