Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10451/9502
Título: Study of the relationships between relational job characteristics, emotion work and affective organizational commitment in a sample of portuguese hospital nurses
Autor: Santos, Alda Maria Encarnação dos
Orientador: Chambel, Maria José, 1962-
Palavras-chave: Trabalho emocional
Compromisso organizacional
Enfermeiros
Teses de mestrado - 2013
Data de Defesa: 2013
Resumo: As tendências atuais, no sentido da prestação de cuidados em enfermagem de acordo com um modelo biopsicossocial, deparam-se com uma necessidade institucional simultânea no sentido da otimização de serviços e economia de custos o que, muitas das vezes, se reflete em cortes de pessoal e no acesso dificultado aos recursos, colocando os enfermeiros face a situações dilemáticas cujos efeitos negativos poderão fazer-se sentir tanto a nível individual como organizacional. Torna-se, deste modo, importante o estudo de variáveis que a literatura tenha revelado como estando associadas a resultados positivos tanto para as organizações como para os indivíduos que nelas desenvolvem o seu trabalho. Tratando-se a enfermagem de uma área profissional onde existe uma forte componente relacional, revela-se particularmente pertinente o seu estudo à luz dos conceitos das características relacionais do trabalho (CRT), do trabalho emocional e do compromisso organizacional afetivo (COA), tendo este último evidenciado relações consistentes com outcomes positivos tanto a nível individual como organizacional (Meyer et al., 2002). O presente estudo teve, assim, como objetivo estudar as relações existentes entre os efeitos psicológicos das CRT (impacto percebido do trabalho dos enfermeiros na vida dos seus clientes e compromisso afetivo para com os seus clientes), o trabalho emocional (dissonância emocional, exigências de expressão de emoções positivas e exigências de expressão de emoções negativas) e o COA, numa amostra de enfermeiros hospitalares portugueses. A originalidade deste estudo reside no facto de utilizar pela primeira vez uma versão portuguesa de uma escala relativa às dimensões dos efeitos psicológicos das CRT e, que seja do nosso conhecimento, investigar estas referidas dimensões com uma amostra de enfermeiros hospitalares. Foram colocadas as seguintes hipóteses:H1a - a perceção dos enfermeiros do impacto do seu trabalho na vida dos seus clientes tem uma relação positiva com o COA; H1b - o compromisso afetivo dos enfermeiros face aos seus clientes tem uma relação positiva com o COA; H2a - a perceção dos enfermeiros do impacto do seu trabalho na vida dos seus clientes tem uma relação negativa com a dissonância emocional; H2b - o compromisso afetivo dos enfermeiros face aos seus clientes tem uma relação negativa com a dissonância emocional; H2c - a perceção dos enfermeiros do impacto do seu trabalho na vida dos seus clientes tem uma relação positiva com as exigências de expressão de emoções positivas; H2d - o compromisso afetivo dos enfermeiros face aos seus clientes tem uma relação positiva com as exigências de expressão de emoções positivas; H2e - a perceção dos enfermeiros do impacto do seu trabalho na vida dos seus clientes tem uma relação negativa com as exigências de expressão de emoções negativas; H2f - o compromisso afetivo dos enfermeiros face aos seus clientes tem uma relação negativa com as exigências de expressão de emoções negativas. H3a - a dissonância emocional tem uma relação negativa com o COA; H3b - as exigências de expressão de emoções positivas têm uma relação positiva com o COA; H3c - as exigências de expressão de emoções negativas têm uma relação negativa com o COA. H4a – a relação entre a perceção dos enfermeiros do impacto do seu trabalho na vida dos seus clientes e o COA é mediada pela dissonância emocional (H4a1), pelas exigências de expressão de emoções positivas (H4a2), e pelas exigências de expressão de emoções negativas (H4a3). H4b – a relação entre o compromisso afetivo dos enfermeiros relativamente aos seus clientes e o COA é mediada pela dissonância emocional (H4b1), pelas exigências de expressão de emoções positivas (H4b2), e pelas exigências de expressão de emoções negativas (H4b3). A amostra foi constituída por 335 enfermeiros hospitalares (77.6% mulheres), que participaram voluntaria e anonimamente, preenchendo um questionário, ao qual acederam on-line, e que foi divulgado pela Ordem dos Enfermeiros junto dos seus membros (através do seu site e numa das suas newsletters). Para a recolha de dados foram utilizados os seguintes instrumentos: as dimensões das CRT foram medidas com escalas constituídas por itens traduzidos e adaptados a partir dos estudos desenvolvidos por Grant e colegas (Grant, 2008; Grant, 2008b; Grant & Campbell, 2007; Grant et al., 2007); o trabalho emocional foi medido através da tradução portuguesa das Frankfurt Emotion Work Scales (Zapf, Vogt, Seifert, Mertini, & Isic, 1999); e o COA foi medido com uma tradução portuguesa de uma escala desenvolvida por Meyer, Allen, e Smith (1993). Para o tratamento dos dados foram realizadas análises correlacionais e regressões lineares. Nestas últimas foram controladas as variáveis relativas a: género (devido a possíveis efeitos sobre o trabalho emocional e o COA); antiguidade no hospital, responsabilidades de supervisão e acumulação com outro trabalho remunerado (devido a possíveis efeitos sobre o COA). Verificou-se que apenas as hipóteses H1b, H2c, H2d e H3b foram suportadas. Assim, os dados apontam no sentido de uma relação positiva do compromisso afetivo dos enfermeiros face aos seus clientes com o COA e com a perceção das exigências no sentido da evidência de emoções positivas, bem como destas últimas com o COA. Contudo, não foi encontrada a relação de mediação esperada por parte das exigências de evidência de emoções positivas. Uma das possíveis explicações para esta ausência poderá estar relacionada com o fato da variável mediadora poder ser o compromisso afetivo dos enfermeiros face aos clientes e, portanto, ser necessário investigar a possibilidade de percursos diferentes dos que foram tidos em conta neste estudo. Por outro lado, embora tivesse sido encontrada a relação prevista entre o impacto percebido pelos enfermeiros do seu trabalho na vida dos seus clientes e as exigências de expressão de emoções positivas, o mesmo não sucedeu com a relação esperada desta dimensão das CRT com o COA, pelo que se rejeitou aqui também, a hipótese de mediação. O facto de apenas o compromisso afetivo para com os clientes e não o impacto percebido pelos enfermeiros na vida dos seus clientes apresentar relações significativas com o COA, poderá ser explicado devido a tratar-se de constructos empiricamente distintos (Grant, 2008), tratando-se o primeiro de uma atitude, enquanto que o segundo constitui uma expectativa. Foram igualmente rejeitadas as hipóteses relativas às relações negativas previstas das dimensões dos efeitos psicológicos das CTR com duas das dimensões do trabalho emocional, dissonância emocional e exigências no sentido da evidência de emoções negativas, bem como destas duas últimas com o COA. No que diz respeito às exigências da evidência de emoções negativas, verifica-se que esta amostra reporta um nível muito baixo de expressão de emoções negativas, o que pode explicar a ausência das referidas relações esperadas relativamente quer aos efeitos psicológicos das CRT quer ao COA. Estudos futuros poderão explorar estas relações entre estas variáveis em amostras de profissionais que tipicamente apresentam um maior índice de exigências de evidência de emoções negativas, tais como polícias. Quanto à dissonância emocional, no que concerne à ausência da relação esperada com o COA, esta pode ser explicada pela ação de variáveis moderadoras, tal como verificado em estudos anteriores (ex: Abraham, 1999), pelo que estudos futuros poderão investigar o possível efeito moderador do apoio social e da autoeficácia na relação entre estas duas variáveis. Este estudo tem algumas limitações que devem ser referidas: trata-se de um estudo transversal, não permitindo o estabelecimento de relações de causalidade; os dados foram obtidos exclusivamente através de questionários de autorresposta, o que poderá contaminar os resultados através do método da variância comum; utiliza uma amostra de conveniência, não podendo ser considerada representativa da população de enfermeiros hospitalares portugueses; e, ainda, o facto dos dados terem sido recolhidos exclusivamente em hospitais portugueses coloca dificuldades de generalização dos resultados obtidos. No que concerne às implicações práticas do presente estudo, os resultados obtidos sugerem que, de forma a aumentar o COA, os hospitais devem procurar fomentar o compromisso afetivo dos seus enfermeiros face aos clientes e, de igual forma, encorajar a expressão de emoções positivas no exercício da prática da enfermagem. Estes resultados chamam igualmente atenção para os potenciais benefícios, tanto para os hospitais como para os enfermeiros, de manter estes profissionais "próximos" dos seus clientes. Desta forma é dada oportunidade aos enfermeiros para desenvolverem um vínculo afetivo face aos seus clientes, bem como para testemunhar o impacto do seu trabalho nas vidas destes clientes. De igual forma, um ambiente de trabalho no qual a evidência de emoções positivas seja encorajada e valorizada, de acordo com os resultados obtidos neste estudo, poderá contribuir positivamente para o compromisso afetivo dos enfermeiros, tanto relativamente ao hospital como aos seus clientes, o que, por sua vez, constitui um benefício tanto para estes profissionais como para as organizações onde trabalham.
This research aimed to study the relationships between relational job characteristics' (RJC) psychological effects, emotional work and affective organizational commitment (AOC) in a sample of Portuguese hospital nurses. A possible mediating effect of emotional work on the relationship between RJC psychological effects and AOC was also tested. This study used RJC psychological effects' scales for the first time in Portuguese, and, that we are aware of, with a sample of hospital nurses. The sample was constituted by 335 nurses that voluntarily filled in an on-line self-report questionnaire. Data analysis comprised correlations and linear regressions, and results only partially supported the proposed model. Results showed a significant relationship between nurses' affective commitment to clients and AOC, but not between nurses' perceived impact over clients and AOC. As expected, there is a positive and significant relationship between RJC psychological effects and positive emotion display requirements, as well as between the latter and AOC. However further analysis showed no mediating effects of positive emotion display requirements in the relationship between nurses' affective commitment to clients and their AOC, and therefore none of the hypothesized mediating effects were found. Results disconfirm as well the expected negative significant relationships between RJC psychological effects and negative emotion display requirements, as well as between the later and AOC. Findings underline the importance, in order to enhance their AOC, for hospitals to foster a working environment that encourages nurses' affective commitment towards clients as well as positive emotion displays.
Descrição: Tese de mestrado, Psicologia (Secção de Psicologia dos Recursos Humanos, do Trabalho e das Organizações), Universidade de Lisboa, Faculdade de Psicologia, 2013
URI: http://hdl.handle.net/10451/9502
Aparece nas colecções:FP - Dissertações de Mestrado

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