Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10451/9970
Título: O universo poético de Armando Artur
Autor: Oliveira, Ildeneses Maria de
Orientador: Leite, Ana Mafalda
Palavras-chave: Artur, Armando, 1962 - Crítica e interpretação
Poesia moçambicana - séc.20 - História e crítica
Teses de mestrado - 2013
Data de Defesa: 2012
Resumo: A poesia de Armando Artur insere-se, inicialmente, no movimento cultural designado por Charrua – nome da revista publicada na década de 80, em Moçambique – que contava, entre os seus colaboradores, com escritores como Eduardo White e Ungulani Ba Ka Khosa. Tendo em conta o desencanto social instaurado em Moçambique no período de pósindependência, preconizava-se uma arte poética subjetiva, de qualidade estética e de liberdade temática, buscando novos caminhos para a poesia. Na arte poética de Artur, difusa e original, cultivam-se temas como o tratamento do tempo, a escrita e o sonho, o amor, os elementos da natureza, a formulação crítica e envolvimento social, a dimensão dramática, o registo filosófico e aforístico. Evidencia-se a importância do tempo passado e presente, bem como a problemática da história social e política de Moçambique, que a sua escrita metamorfoseia em poesia intimista e de afetos, mensagem coletiva de amor e utopia. A sua poesia, recorrendo, com frequência, a elementos da natureza, apresenta pelo menos duas linhas de força: a lírica amorosa que se dirige a um destinatário de cariz intimista e a poesia de feição épica ou antiépica que se assume como porta-voz do coletivo. A intertextualidade que a sua poesia estabelece deliberadamente com outros autores, quer através de citações, quer de referências explícitas e implícitas, convoca conhecimentos históricos, literários e filosóficos. Neste sentido, a partir da interpretação e análise textual de um conjunto de poemas selecionado da sua obra, assinalamos efeitos sociais da história recente de Moçambique, sobretudo da época colonial e pós-independência. Estabelecemos relações de intertextualidade, evidenciadas em processos poéticos, versos ou expressões de autores canónicos da literatura. Por esta via, tornam-se incontornáveis Sophia de M. B. Andresen e Eugénio de Andrade. Também se distinguem outras referências: Camões, Shakespeare, Rui Knopfli, Manuel Bandeira, Miguel Torga, Verlaine, entre outros. Numa perspetiva filosófica, relacionamos a sua obra com a Bíblia, a mitologia (mito de Narciso) ou autores como Sócrates, Aristóteles, Descartes, J. P. Sartre e outros pensadores da cultura ocidental. Deste modo, a poética arturiana reivindica a herança cultural de grandes escritores, desde a antiguidade até à época contemporânea, alcançando uma dimensão humanística e universal.
ABSTRACT: The poetry of Armando Artur falls initially on the cultural movement known as Charrua - name of the magazine published in the 80s, in Mozambique - which counted among its collaborators writers like Edward White and Ungulani Ba Ka Khosa. Given the social disappointment felt in Mozambique in the post-independence period, there was a need for subjective poetry, aesthetic quality and thematic freedom, seeking new paths for poetry. In the diffuse and original poetic art of Artur, we can find topics such as the treatment of time, the writing and dream, love, nature elements, critic formulation and social involvement, the dramatic dimension and the aphoristic and philosophical register. This study highlights the importance of the past and present, as well as the problems of social and political history of Mozambique, which his writing metamorphoses into sentimental and intimate poetry and a collective message of love and utopia. His poetry, often depicting the elements of nature, has at least two lines of force: a love lyric intended for those seeking intimacy and epic and anti-epic poetry, which represents the collective. The intertextuality which his poetry deliberately establishes with other authors, either through citations or explicit and implicit references, summons historical, literary and philosophical knowledge. In this sense, from the interpretation and textual analysis of a set of selected poems from his work, we identify social effects of the recent history of Mozambique, especially colonial and post-independence. We establish connections of intertextuality, evidenced in poetic processes, verses or expressions of canonical literature authors. Along these lines, Sophia M. B. Andresen and Eugénio de Andrade are inevitable figures. Other references are also distinguished: Camões, Shakespeare, Rui Knopfli, Manuel Bandeira, Miguel Torga, Verlaine, among others. In a philosophical perspective, we relate his work with the Bible, mythology (myth of Narcissus) or authors like Socrates, Aristotle, Descartes, J. P. Sartre, and other thinkers in Western culture. Thus, the Arthurian poetry claims the cultural heritage of great writers, from ancient to contemporary times, reaching a humanistic and universal dimension.
Descrição: Tese de mestrado, Estudos Românicos (Estudos Brasileiros e Africanos), Universidade de Lisboa, Faculdade de Letras, 2013
URI: http://hdl.handle.net/10451/9970
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