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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
Os projetos de investigação que tentaram ensinar alguma das línguas humanas a outros animais demonstram, por uma parte o interesse e a capacidade de entender os detalhes da nossa própria comunicação e, ao mesmo tempo, a necessidade de estabelecer um diálogo com outros tipos de vida, utilizando a nossa língua como ponte. Ao considerar os efeitos que a linguagem tem sobre o pensamento, sobre o corpo, e sobre a maneira como se estabelecem as relações entre indivíduos, é irresistível mergulhar nas suas águas, não só para tentar dominar os pormenores do seu funcionamento, mas ao mesmo tempo para o escrutinar em busca de detalhes que nos permitam compreender os processos por detrás da sua implementação. Ao aprofundar as particularidades das manifestações linguísticas de outras espécies, surge um campo pantanoso, onde historicamente a necessidade de defender a excecionalidade humana abrandou a investigação sobre a complexidade da comunicação noutros seres. As experiências neurológicas realizadas em animais não humanos descrevem a trajetória de uma história de domesticação contrabalançada por uma profunda curiosidade científica, encontrando neles um espelho e ao mesmo tempo o desafio de pensar fora da nossa escala e dos nossos sentidos. O interesse em compreender, imitar e comunicar com as aves já existe há muito tempo na história da humanidade, manifestado em práticas, textos e partituras relacionadas com a forma como poderíamos assimilar no nosso corpo, nas nossas vozes e com as nossas máquinas os extravagantes sons dos pássaros. Mesmo que se trate de uma curiosidade antiga, o interesse por entender as manifestações sonoras dos pássaros continua latente. Como se fosse um lugar ao qual acabássemos por regressar/visitar por curiosidade sónica, por vezes na esperança de estabelecer comunicação e outras vezes com o desejo de exercer domínio. Este projeto tem como ponto de partida um artigo científico que propunha um paralelo cognitivo entre pássaros cantores e primatas humanos, reconhecendo em ambos a possibilidade de aprender e memorizar frases sonoras complexas para desenvolver uma memória auditiva geracional e a comunicação através de uma linguagem. Neste processo estariam implicados os neurónios moto-visual-sonoros, isto é, a capacidade de comunicarmos uns com os outros estaria sujeita à ação interdisciplinar destes neurónios. Simultaneamente, estes neurónios seriam responsáveis pela empatia afectiva, que se refere à nossa capacidade quase epidérmica de transferir emoções de um corpo para outro. Este tipo de empatia parece operar espontaneamente e é fundamental para a comunicação; ativa-se inclusive antes de dominarmos a linguagem. Trata-se de uma empatia fortemente conectada ao instinto, que nos permite interatuar dentro de uma comunidade e que se ativa automaticamente (com exceção de casos onde exista uma lesão ou um funcionamento irregular do córtex ventral pré-motor). Por esta razão, pode ser usada para estabelecer vínculos emocionais inconscientes e ser usada para manipular multidões. Podem considerar-se os neurónios senso-motores como neurónios pré-linguísticos, no sentido em que atuam desde o nascimento e são uma parte importante da origem e da proliferação da linguagem. É através destes neurónios que os gestos mais característicos dos nossos antepassados, e as canções mais complexas (no caso dos pássaros) passam de geração em geração. São neurónios interdisciplinares, ou multi-especializados, o que nos permite pensar nas múltiplas combinações que as línguas que falamos hoje em dia, dominadas pelo espectro sonoro, poderiam ter chegado a ser ultrapassadas por outras expressividades (como o gesto, por exemplo)
Descrição
Palavras-chave
Linguagem Pássaros Aves Primatas Neurónios espelho Investigação interdisciplinar Arte e ciências
